Artigo: Nota ruim do Brasil no Pisa desmente avanço medido pelo MEC? Uma hipótese otimista e outra incômoda
Os resultados do Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb) e do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) 2025, divulgados em agosto pelo Ministério da Educação (MEC), trouxeram uma notícia que o Brasil esperava desde a pandemia: a educação brasileira não apenas teria recuperado as perdas provocadas pelo fechamento das escolas, como alcançado os melhores resultados da série histórica do Ideb.
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Entre 2023 e 2025, o índice avançou de 6,0 para 6,3 nos anos iniciais do ensino fundamental, de 5,0 para 5,3 nos anos finais e de 4,3 para 4,5 no ensino médio. Também houve crescimento nas proficiências do Saeb, ainda que pequenas para os anos finais do fundamental e para o médio.
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Um mês depois, o Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (Pisa) 2025 apresenta um retrato menos positivo. Aos 15 anos, os estudantes brasileiros obtiveram 408 pontos em Leitura, 377 em Matemática e 409 em Ciências. Na comparação com 2022, praticamente nada mudou.
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Mais importante: segundo a OCDE, os resultados brasileiros permanecem próximos dos observados desde 2015 nas três áreas. Ou seja, enquanto Saeb e Ideb sugerem avanço e recuperação, a principal avaliação internacional de estudantes mostra uma década de estagnação.
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A aparente contradição merece atenção, mas não comporta explicação simples. Saeb e Pisa medem construtos diferentes e têm instrumentos diferentes. Minha tese de doutorado, que analisou conjuntamente Saeb, Pisa, e outras duas avaliações internacionais (Pirls e Timss), mostrou justamente que comparar médias sem considerar o desenho das avaliações pode levar a conclusões equivocadas.
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Depois de três décadas de avaliações em larga escala, o desafio brasileiro já não é simplesmente produzir mais indicadores. É saber se aquilo que chamamos de melhora no indicador corresponde, de fato, a uma melhora na capacidade dos estudantes de ler profundamente, raciocinar matematicamente, compreender ciência e utilizar o conhecimento diante de problemas novos. O Pisa 2025 sugere que essa pergunta continua em aberto.
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