Consideramos que há quatro aspectos fundamentais para a realização de boas pesquisas em Educação: atenção ao contexto educacional, aplicabilidade, rigor metodológico e boa comunicação com o público alvo. Nesta página, reunimos todos os nossos estudos, organizando-os por temáticas.

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Esta página traz livretos, análises e artigos sobre o desempenho dos estudantes brasileiros no Saeb, no Ideb, no Pisa e no Pirls, além de dados do Indicador de Permanência Escolar, criado pelo Iede para mensurar o total de crianças e jovens que abandonam a escola sem ter concluído a Educação Básica.

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Contribuições ao Debate - GaúchaZH 09/10/2026

O que explica os baixos índices de aprendizagem em matemática no RS

Estudos da OCDE e do Todos Pela Educação revelam desempenho dos estudantes gaúchos abaixo do adequado na disciplina
Sofia Lungui

A aprendizagem em matemática carrega um estigma de dificuldade que ultrapassa os muros de escolas em diferentes espaços geográficos. O desafio também está refletido em dados de estudantes do Rio Grande do Sul.

No Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (Pisa) 2025, o Estado ficou com pontuação semelhante à do Brasil. Matemática aparece como a mais baixa média entre as áreas acompanhadas. A pesquisa, que inclui ainda ciências e leitura, foi divulgada em setembro pela Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE). O Pisa mede conhecimentos e habilidades de jovens de 15 anos.

(…)

Para incluir questões sociais à avaliação, pesquisadores do instituto Interdisciplinaridade e Evidências no Debate Educacional (Iede) propuseram um novo cálculo. A partir de dados como acesso à internet e escolaridade dos pais dos alunos, eles estimaram quais seriam as notas esperadas de cada Estado no Pisa considerando o aspecto socioeconômico.

Levando esse fator em conta, o panorama ficaria um pouco diferente. A escala padronizada revela que a nota esperada em matemática dos alunos do RS seria 397. Ou seja, o Estado ficou 19 pontos abaixo do esperado na avaliação, com 378. Em leitura, no entanto, os alunos gaúchos superaram o resultado esperado, com 25,4 pontos a mais. Já em ciências, o RS ficou levemente acima do esperado (+0,5).

— O RS teve um resultado que não destoa muito do que seria esperado, dado o perfil socioeconômico dos alunos. O Estado segue a tendência nacional de ter um resultado mais desafiador em matemática, um pouco melhor em leitura e ciências, muito influenciado pelo nível socioeconômico — explica o diretor-fundador do Iede, Ernesto Martins Faria.

O levantamento utiliza o índice ESCS (index of socio-economic status) para avaliar se os estudantes obtiveram médias superiores às esperadas considerando o nível socioeconômico da amostra da pesquisa.

Nesse cálculo, o Paraná é destaque entre os Estados brasileiros, com 462 pontos em ciências, 458 em leitura e 423 pontos em matemática, todos acima do esperado para a amostra. Conforme o levantamento do Iede, além do RS, outros 20 Estados ficaram abaixo do esperado em matemática.

— O Pisa mostra que para a garantia de habilidades mais complexas, o Brasil não tem conseguido fazer com que a escola compense as desvantagens de fora do ambiente escolar. Estados que atendem alunos de mais alto nível socioeconômico tendem a se sobressair, como no Sul e Sudeste. Isso demonstra a dificuldade que temos de compensar as desvantagens socioeconômicas — pondera Faria.