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Contribuições ao Debate - Iede 14/05/2026

Livro “Duas décadas de Ideb: resultados e perspectivas” analisa os impactos e limites do indicador e defende sua reformulação 

Parceria do Iede com a Fundação Santillana e a Editora Moderna, publicação traz estudos de casos e artigos de especialistas. Distribuição é gratuita; acesse!

Criado em 2007, o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) consolidou-se rapidamente como o principal indicador de qualidade da educação brasileira, influenciando políticas públicas, metas e práticas de gestão em redes de ensino de todo o País. Agora, seus impactos, contribuições e limitações são analisados no livro “Duas décadas de Ideb: resultados e perspectivas”, lançado nesta quinta-feira (14), no Insper, em São Paulo (SP), pelo Interdisciplinaridade e Evidências no Debate Educacional (Iede), em parceria com a Fundação Santillana e a Editora Moderna. A publicação tem distribuição gratuita e está disponível para download aqui.

Organizado por Ernesto Martins Faria e Lecticia Maggi, respectivamente, diretor-fundador e diretora de projetos do Iede, a publicação teve o apoio da B3 Social, da Fundação Itaú, da Fundação Roberto Marinho e do Instituto Natura. O prefácio foi escrito pela ex-presidente do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) Maria Helena Guimarães de Castro. 

A partir de uma pesquisa in loco e da entrevista com diferentes atores – secretários de educação, gestores escolares, professores e famílias – a obra detalha a história de três redes de ensino fortemente impactadas pelo Ideb: Novo Horizonte (SP), Foz do Iguaçu (PR) e Sobral (CE). Traz também artigos de pesquisadores, incluindo um do criador do Ideb, o professor Reynaldo Fernandes, que discute a motivação, as perspectivas e desdobramentos do índice. Outro especialista com texto autoral é José Francisco Soares, também ex-presidente do Inep e titular da cátedra Unesco-FGV. Ele defende mudanças profundas para que o Ideb continue relevante. 

Segundo os organizadores, o livro nasceu de três propósitos principais: a) reconhecer o Ideb como uma política pública de grande impacto, responsável por avanços importantes na educação brasileira e também por ações educacionais indesejáveis; b) compreender, a partir de diferentes vozes e experiências, como o indicador influenciou as práticas das redes de ensino; e c) contribuir para uma reflexão qualificada sobre os próximos passos do índice e da avaliação educacional no Brasil. 

“O livro mostra que o Ideb teve papel decisivo na transformação da agenda educacional brasileira. Antes dele, o debate estava focado, principalmente, na ampliação do acesso à escola. Com o Ideb, criou-se uma nova lógica: a de que não basta estar na escola, é preciso aprender”, afirma Lecticia Maggi, uma das organizadoras. 

Entre os principais efeitos positivos estão a consolidação de uma cultura de avaliação, a criação de metas nacionais, o fortalecimento do uso de dados e evidências na educação, a ampliação da transparência sobre resultados educacionais e a maior responsabilização de gestores e redes de ensino.

Ao mesmo tempo, os autores argumentam que o modelo atual dá sinais claros de esgotamento. As fragilidades metodológicas do índice tornaram-se mais evidentes e muitas redes já não se beneficiam do Ideb da mesma maneira que no passado. Um dos exemplos citados é o fato de uma rede pública ter alcançado, pela primeira vez, um Ideb 10, em 2023 — episódio interpretado menos como uma conquista e mais como um indicativo de saturação do modelo atual.

Entre os efeitos negativos do uso excessivo do Ideb como referência para políticas educacionais, estão o estreitamento curricular, com foco excessivo em Língua Portuguesa e Matemática; o ensino direcionado às matrizes do Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb); treinamentos intensivos para as provas; e práticas de “gaming”, como seleção de estudantes para realizar o Saeb e concentração maior de esforços e recursos nas séries avaliadas. Além disso, o livro também destaca o fato de o Ideb ainda não incorporar adequadamente desigualdades sociais e raciais. 

A publicação também defende que as avaliações brasileiras avancem na mensuração de habilidades mais complexas, como pensamento crítico e resolução de problemas, aproximando-se de exames internacionais. 

Além dos especialistas citados, a publicação teve contribuições de Alan Pessoa Valadares, coordenador no Observatório Fundação Itaú; Cristina Lopes e Marcelo Tragtenberg, do Centro de Estudos e Dados sobre Desigualdades Raciais (CEDRA); Tereza Perez, diretora da Roda Educativa; e das jornalistas Camila Pamplona e Vanessa Fajardo.